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1 Comentário

  1. Antonio Carlos outubro 23, 2008 @ 19:54

    Caro Lúcio,
    Essa empolgação das elites paraenses com as altitudes de 540 mil me lembra duas coisas: primeiro, um texto do livro de Maria Ângela D’Incao em que dizes que a maneira como foi feita a ocupação da Amazônia nos impediu de termos consciência histórica e também consciência de nossas peculiaridades regionais. A segunda, durante minha última ida a Belém, em janeiro de 2007, poucos após a inauguração da rotatória do Entroncamento, perto de minha casa. Fui lá ver a coisa e atravessei p outro lado por cima das passarelas; tarefa quase impossível devido à quantidade de fezes humanas acumuladas sobre as pasarelas recém inauguradas. Isso ficou na minha cabeça por meses; essa fragilidade que temos à empolgação com grandes construções, querendo ser uma São Paulo, cheia de espigões, viaduto e coisas do gênero. Me parece que a modernidade construiu dentro de nosso povo (e não somente das elites) uma concepção distorcida de progresso e civilização, cujo modelos também nos é imposto de fora. Fui falar na CNBB e tinha gente me filmando com celulares sofisticados. Eu nunca tinha visto tanto carro de luxo circulando pelas ruas da Marambaia. E tantos outros indícios do ‘progresso”, usufruidos indiferentemente à multidão de vendeores ambulantes na esquina da P. A. Cabral com a Júlio Cesar, ou aos ratos descumunais saindo e entrando nos bueiros do centro da cidade. Com certeza tem muita gente que acha lindos os espigões (que ainda não ví) e não se importa se não puder mais ver a baía da janela de sua casa, ou que daqui uns anos a temperatura da cidade suba alguns graus; esse gosto(ou desgosto) estético também nos foi imposto goela abaixo.Por isso faço questão de te escrever algo daqui do sul, querendo chegar logo dezembro e apertar a mão de Paraguassú Éleres, e de outros teimosos resistentes ao “progresso”.
    Grande abraço

Começa reação
aos espigões

Urbanismo

Algumas pessoas começam a reagir à barbárie imobiliária que está sangrando Belém. Parece chegar ao fim a tolerância ao crescimento vertical descomprometido com a qualidade de vida na cidade, que tornou comuns os prédios com mais de 30 andares, acima daquele que, por quase meio século, foi o maior edifício da região, o Manuel Pinto da Silva. O advogado e agrimensor Paraguassú Éleres ajuizou ação popular para impedir que a Construtora Village, a campeã dos arranha-céus, levante os 33 andares do seu Village Park. Se chegar a essa dimensão, o prédio vai prejudicar o Horto Municipal, na esquina da Mundurucus com a Doutor Moraes.

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LFP @ outubro 1, 2008

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