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2 Comentarios

  1. joaoemilianoneto novembro 20, 2009 @ 21:59

    Licitação é caminho para o monopólio ou para o socialismo (vide a empresa de lixo do sr. presidente Lula, a Emparsanco que sempre ganha licitação nas prefeituras petistas). O bom mesmo é privatizar os serviços e deixar que a concorrência selvagem capitalista cristã - moralmente INFINITAMENTE superior as licitações - aponte os melhores fornecedores de serviços ao consumidor. Daí, também, muitos empregos serão gerados.

    Essa era esquerdista precisa acabar no meu amado Pará, EM NOME DE JESUS, para que o abismo apontado por você, sr. Lúcio Flávio Pinto, da política paraense para com a realidade para de se agigantar.

  2. edivaldomagia novembro 21, 2009 @ 20:11

    Em Santarem tem O Camarada que disputou as eleições Municipais pelo PSOL.O MÁRCIO PINTO É um ‘politico’ novo Tem uma base sustentada na juventude. Dificil é enfrentar seus “Inimigos internos”:Araceli, Edmilson Rodrigues, Marinor. Santarém apostaria nele. A Juventude do PSOL Também.

Não há favorito

Política

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Nenhum dos pré-candidatos ao governo do Estado em 2010 parece ter força eleitoral suficiente para uma vitória no 1º turno. Não há novidade alguma nas alternativas de nomes. O Pará, que enfrenta muitos desafios, precisa de um novo líder, que inexiste.

O Pará está maduro para uma nova liderança política. O problema é que nenhuma das atuais lideranças políticas está madura para as carências, as necessidades e as aspirações do Pará dos nossos dias. Nem se consegue visualizar no horizonte do possível uma liderança realmente nova, que não se traduza apenas em mais um nome a repetir as práticas do passado e do presente.

A constatação não é idílica ou metafísica. Ela é a explicação para as pesquisas de opinião feitas até agora, através das quais os partidos procuram selecionar candidatos para a eleição do próximo ano. Nenhum dos que aparecem no alto da preferência popular pode ser apresentado como favorito. De outro lado, ninguém se encaixa no perfil de azarão. É enorme o descolamento entre a elite política e a história real do Estado. Esse clima é favorável a surpresas - boas ou más, o que ainda não se pode antecipar.

Pelos números das pesquisas, pode-se antecipar uma coisa: nenhum dos candidatos potenciais, incluídos nas sondagens, tem força para vencer no 1º turno em 2010. As alianças serão mais importantes do que nunca, assim como os auxílios externos ou superiores. O principal desafio para a candidata que já está em campanha (aliás, ela parece nunca ter descido completamente dos palanques), a governadora Ana Júlia Carepa, do PT, é reverter seu mau desempenho durante os quase três anos do seu mandato.

Um estigma cobre a sua imagem: da administradora que só conseguiu inaugurar uma obra, o restaurante do Hangar - Centro de Convenções. Como a governadora não pára de discursar e de circular, a ela tem sido aplicada uma imagem que foi de Jader Barbalho no seu primeiro governo: como uma abelha elétrica, ele fazia muita cera sem produzir mel. A resposta do líder do PMDB, na segunda campanha eleitoral para o governo, foi associar sua imagem ao trabalho. Prometeu ao eleitor que, desta vez, ele veria os resultados concretos da sua atividade. Haveria mel para distribuir.

A reversão desse mesmo estigma vai depender, no caso de Ana Júlia, da ajuda do governo federal, principalmente através das obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Negando a alegação de que o governo do PT nada fez em mais de dois terços da sua duração, os ideólogos do partido argumentam que esse foi o período de plantio de sementes, muito melhores do que as semeadas pelos tucanos nos 12 anos anteriores. Ao invés de obras eleitoreiras ou concentradas em Belém, feitas para causar boa impressão, mas sem consistência para mudar a face do Estado, agora o PT realiza obras de maior fôlego e repercussão. Só a partir de agora elas vão começar a brotar - e na época certa, da coleta dos votos.

Em parte, é verdade, mas não exatamente pelas razões proclamadas pelos petistas. A força do governo do PT, a partir do modelo de Lula, é a distribuição de dinheiro aos pobres, não uma via de redistribuição de renda pela valorização do trabalho, mas como uma concessão de cima, uma compensação e também uma imobilização: o Estado cobra pedágio à elite, muito mais enriquecida do que o povo, para o qual se concede uma fatiazinha do bolo, destinação que, na época do PSDB, simplesmente não existia ou foi minimizada (embora os programas das bolsas tenham sido criados durante a administração de Fernando Henrique Cardoso).

Nenhum outro partido conta com esse poderoso instrumento, que cria dependência do governo e gera lealdade política por parte do beneficiário. É, portanto, um mecanismo político poderoso, sem se traduzir da mesma forma como programa social. Sua duração depende do caixa do governo, que, por sua vez, tem relação com a atividade produtiva e a disposição dos maiores beneficiados de contribuir para esse fundo político, o mais eficiente já criado no Brasil (as políticas sociais de Getúlio Vargas eram muito mais “estruturantes”, como se diz agora, mas sem o apelo popular que têm as do PT).

Esta é uma fonte vital de votos, mas talvez não seja suficiente para garantir que a imagem de ineficiência e incompetência da administração Ana Júlia seja desfeita. Ela precisa inaugurar obras de impacto, mas que transcendam o espocar de fogos e a propaganda massiva no dia da inauguração. As eclusas de Tucuruí, por exemplo, com seu orçamento de um bilhão de reais e sua longa história de protelações, é obra de tal impacto. Prevista para ser inaugurada no primeiro semestre do ano que vem, trará dividendos para a governadora.

Mas - e se não passar de uma enorme e impressionante estrutura de concreto? Se, no dia seguinte, não houver carga passando por ela, dinamismo na navegação do rio, efeitos nas áreas sob a sua influência? Este é um indesejável efeito negativo de obras isoladas, que não foram planejadas ou seu planejamento não está calibrado (ou, no caso das eclusas de Tucuruí, não foi reajustado). Sem consistência social, não renderão os votos que delas se espera.

Haverá ainda outras obras do PAC para inaugurar se o governo federal, por sua vez, arranjar os recursos necessários para dinamizar os seus cronogramas, na maior parte atrasados em relação aos prazos originalmente estabelecidos. Haverá ainda, por fim, dinheiro “não contabilizado” para os fundos de campanha, em função da reativação de alguns “grandes projetos”, que fertilizam as hortas das empreiteiras e as tornam mais receptivas aos caixas das campanhas eleitorais.

Ou seja: haverá políticos da situação percorrendo o interior com botas de sete léguas e uma lâmpada maravilhosa no alforje. Este é um componente estratégico do mecanismo de recrutar eleitores e orientar seus votos, que não pode ser minimizado num Estado grande e pobre como o Pará. É a tal da “máquina”, que pode ter efeito meteórico, mas é marcante (quando não determinante).

Há, portanto, uma série de variáveis a considerar antes de declarar a governadora Ana Júlia Carepa vítima da sua impopularidade atual. Falando muito mais do que gostaria de ter falado, mas colocando para fora um conceito estabelecido entre os políticos, nas suas tratativas de gabinete, o ex-governador Almir Gabriel disse que governador, quando no exercício do mandato, só perde eleição por incompetência - ou quando quer.

A frase dá um sentido mais realista do poder concentrado nas mãos do cidadão que pode demitir ou admitir no serviço público, abrir ou fechar os cofres do tesouro, pedir ou mandar em empreiteiros e fornecedores. Destemperado por causa do ressentimento e do rancor, Almir Gabriel usou a frase contra seu antecessor, Simão Jatene, que era um poste (eleitoralmente falando) quando o então governador arrastou a máquina oficial em peso para elegê-lo, em 2002. O império do tucanato poderia ser mantido, em 2006, se Jatene tivesse feito o mesmo em favor do seu padrinho, que tentava uma façanha inédita na história paraense: voltar pela terceira vez ao governo através do voto.

Na visão de quem manuseou com desenvoltura a caneta que admite ou elimina do serviço público, e da chave que abre ou fecha as burras do tesouro, essa façanha fracassou por causa da traição do ingrato. Almir Gabriel, ao que parece, até hoje não digeriu a má sorte (em espanhol a expressão traduz melhor o gosto avinagrado dessa sensação: é a mala suerte). Movido por esse sentimento e pela convicção sobre o despreparo da candidata que o derrotou, Almir Gabriel, contra todos os prognósticos e conselhos, está de volta à arena eleitoral. Especificamente, ao ninho tucano, totalmente desgrenhado por artes e ofícios do maquiavelismo do ex-governador. Ele insuflou as pretensões do senador Mário Couto e, pela boca dele, vergastou o infiel de 2006, que imaginava realizar o sonho de receber a candidatura em casa, ou no meio de uma bucólica pescaria.

Desta vez, Simão Jatene irá para a bola dividida ou, como em 2006, recuará? De fato, a indesejada candidatura de Almir Gabriel na eleição daquele ano só prosperou porque o então governador, candidato natural à reeleição (apesar de sua rejeição ao instituto, inscrito no direito eleitoral brasileiro pela insensatez de FHC), deixou o ex-quase-futuro sucessor ir para a beira do gramado (chuteiras, meião e camisa vestidos) e pedir ao grupo Liberal para anunciar o seu ingresso na partida. Para perder - fragorosamente, no entender de alguns analistas - porque foi traído, na convicção do próprio Almir, embora dita agora com outras palavras, mais sutis.

Movido por uma nova avaliação do desengonçado quadro pré-eleitoral deste ano, Almir abandonou seu exílio no litoral paulista, onde iria desfrutar dos benefícios do anonimato e das delícias da nova situação pessoal, para se postar de novo à beira do gramado. Para ser candidato a quê? A alguma coisa, parece não haver mais dúvida. A partir daí, porém, há certa dose de imponderabilidade. Talvez nem Almir esteja certo sobre o cargo para o qual deva se apresentar.

Se tivesse o realismo do ex-governador (já falecido) Aloysio Chaves, sairia para a Câmara Federal, garantindo seu próprio lugar e pelo menos mais uma vaga para o PSDB. Mas aí Jatene podia sair candidato ao governo ou ao Senado - e isso, decididamente, Almir não quer. Para que seu desejo se transforme em lei, não lhe é suficiente, agora, dar gritos ou murros. Ele precisa mostrar força. Esta necessidade o faz pensar mais acima - e, com isso, influir sobre outras mexidas de peças no tabuleiro da política paraense.

Imagine-se Jader Barbalho, Almir Gabriel e Paulo Rocha disputando as duas vagas para o Senado. Seria uma disputa de grande interesse. Podia-se, finalmente, medir o apelo popular real do outrora imbatível político paraense. Se fosse realista, Jader também seria candidato a deputado federal, garantindo mais duas ou três cadeiras para o PMDB. Mas ele andou muito pelo interior nos últimos meses, conquistou mais prefeituras (41) do que o PT, que está no pleno poder (em Belém e em Brasília), fez mais alianças e promessas, estendeu o quanto pôde o campo da sua influência. Não é esforço de quem quer apenas ser deputado federal.

Claro que Jader não montou essa invejável estrutura apenas com base no seu carisma. Ele contou - embora de forma instável - com a parte do quinhão que Ana Júlia lhe reservou no governo do Estado. Mas contou, sobretudo, com a grande mão do Palácio do Planalto, sempre atento à lista dos mais influentes membros do parlamento nacional (e Jader continua entre os 100, segundo o levantamento do Diap, mesmo sem comparecer às sessões e a despeito da má fama). Jader Barbalho tem um projeto de poder, que não cabe na parte que os “luas pretas” de Ana Júlia querem lhe reservar: apoio para se eleger ao Senado, dividindo votos com o candidato do PT, o deputado federal Paulo Rocha.

O Senado não é tão certo quanto a Câmara Federal para Jader, mas o que lhe importa ter o apoio do PT estadual para ser senador? Ele pode mesmo contar com a partição dos votos petistas para as duas vagas? Elcione Barbalho, que era sua candidata, contou com a promessa dos petistas de que votariam nela para o Senado e se deu mal em 1998. Quem se elegeu, com votos petistas, foi Duciomar Costa, que também contou com votos petistas para derrotar José Priante e se reeleger prefeito de Belém, no ainda fumegante ano passado.

Ana Júlia e seu grão-vizir, o chefe da casa civil, Cláudio Puty, já anunciaram que o lugar na sua chapa é da conurbação entre o PTB e o PR. Jader Barbalho, que tem fustigado como nunca o prefeito de Belém, aceitará ser o candidato ao Senado dessa aliança, confiando nos acertos que a tornarem possível? Quem dará tais garantias, nas quais o PMDB do Pará não acredita (e os petistas não botam fé)?

Neste aspecto a liderança é de Elcione, candidata a mais um mandato na Câmara dos Deputados. Ela se recusa a acreditar novamente nesse compromisso, depois de ter sido a fiadora do PT junto ao seu partido. Talvez só uma fiança mais segura e tangível possa mudar esta posição, se vier diretamente do presidente Lula. Mesmo assim, como reagirá o eleitor que anoitece ouvindo a chibata dos veículos de comunicação da família Barbalho vergastando a administração de Duciomar Costa em Belém e poderá amanhecer sob o tanger dos elogios ou, pelo menos, do silêncio conivente?

É provável que nenhum dos atilados e espertos articuladores políticos esteja ouvindo a voz das ruas. Todos os convivas podem estar apreciando apenas a própria voz, suas imagens refletidas em espelhos de cristal, ou embevecidos com a própria argúcia e capacidade de articulação. Talvez consigam mais uma vez fazer prevalecer sua vontade pelo uso desmesurado da máquina oficial, conforme a regra pétrea formulada pelo ex-governador Almir Gabriel, que a tudo manipula - até a própria realidade. Ela sai retocada com brilho, como na entrevista que o companheiro Cláudio Puty concedeu ao blog da jornalista Ana Célia Pinheiro.

É impossível não admirar Puty. Ele é simpático, inteligente, “tem conteúdo”, como diz o jargão, e apresenta um discurso convincente. Mas quando se confronta o que ele diz com a realidade, é impossível - a um analista mais rigoroso - não achar que as partes não se afinam. Há mais serenidade, coerência e lógica no que o chefe da casa civil diz. Mas suas palavras não expressam os acontecimentos. Nesses momentos embaraçosos sempre há a tentação de mandar a realidade se lixar e só dar importância à versão que dela temos. Os leninistas conseguiram isso como nenhum outro grupo revolucionário ou de vanguarda antes deles, mantendo essa falácia, do socialismo libertário, durante meio século. Mas, quando se exauriu, essa onerosa e sangrenta fantasia caiu de podre, de uma vez.

Quando a jornalista toca numa das chagas do governo Ana Júlia, a contratação de kits escolares, o porta-voz do governo se excede em sofismas, beirando a esquizofrenia intelectual. No seu entendimento, todas as irregularidades e ilegalidades apontadas de público, algumas delas já comprovadas e outras em apuração, resultam de um ato de boa vontade e de ingenuidade do governo. Ele queria que os alunos da rede pública de ensino, os mais pobres, começassem a freqüentar as aulas em condições não tão desvantajosas (ou mesmo humilhantes) quanto os da rede particular, com dinheiro para pagar por camisas, mochilas e agendas. Como havia uma licitação realizada para propaganda (e não para material escolar), aproveitou-se que ela estava ali, dando sopa, para nela encaixar os kits escolares, que, sem essa brecha, precisariam de mais tempo para ser viabilizados. Quanto às normas regulamentares contrariadas e as lacunas, que favoreceriam os desvios (quando nada, de finalidade), ah, sim, tudo isso é venial diante dos bons propósitos do governo para com as crianças e os jovens.

O chefe da casa civil, o principal articulador político do governo (em vias de ser apresentado como candidato a deputado federal), diz isso de forma angelical: “Foi uma interpretação por parte da Secretaria de Educação, que avaliava que, a partir da licitação já feita - e eu não ouvi ninguém dizer que os kits tenham sido superfaturados…”, declara ele, candidamente, como se não lesse jornais, ouvisse e visse emissoras de rádio e de televisão.

Os pregoeiros da cizânia falaram em sete milhões de reais de sobrepreço na confecção desses kits escolares. Puty, no nirvana, estranha: “Fala-se? Essa eu não ouvi… Pois é, então veja que há investigações aí da Auditoria, do Ministério Público e do Tribunal de Contas. Mas, o que eu saiba - eu estou surpreso com o que você está me dizendo agora… Mas, as agendas, as mochilas, o processo diferenciado que foi a confecção das camisas, não me consta que tenha sido superfaturado. Houve a utilização dessa licitação já feita, interpretação jurídica da Secretaria de Educação, de que já havia uma licitação feita. Então, do ponto de vista daqueles que tocaram adiante o processo, havia uma licitação feita e não houve superfaturamento, porque houve Tomada de Preços, não tenho todos os detalhes aqui. Mas, o mais importante é dizer o seguinte: a distribuição dos kits escolares, que muitos tentam negativar, nas nossas pesquisas de opinião sempre aparece, por parte da população, como algo extremamente positivo. As pessoas são muito gratas à política pública do governo”.

Traduzindo a moral da fábula: pouco importa se a decisão de mandar fazer os kits e distribuí-los contrariou as regras do serviço público e deixou pegadas sujas pelo caminho; ela se legitimou porque os destinatários da “política pública” a aprovaram. À lei, as batatas, como diria Machado de Assis, se não conhecesse leis e batatas.

Diante dessa ética, é possível que, mais uma vez, tudo mude para tudo ficar como sempre esteve no Pará, mas a política cavará um pouco mais o fosso que a separa da história de verdade. Ou o próprio túmulo.

LFP @ outubro 15, 2009

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