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O jornalismo-relâmpago
numa Amazônia veloz

Fui surpreendido, no último dia 18, por dois contatos feitos por jornalistas do Diário do Pará. A primeira jornalista queria uma entrevista. A segunda, um artigo. As matérias seriam publicadas na edição de aniversário do jornal, no dia 28. Apesar de muito atarefado, atendi aos pedidos, depois de tentar reduzi-los a um único, a entrevista. [...]

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Um desafio para o jornalismo: descobrir a Amazônia no mundo

Segue-se a entrevista que o Diário do Pará não quis publicar.
Como você avalia o papel do jornalismo hoje no Brasil?
Num mundo no qual as informações são abundantes, contínuas e até ininterruptas, chegando ao cidadão por muitas vias, o jornalismo continua a ter uma importância vital. Ele deve assumir o compromisso de que apurará as informações [...]

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Dívida trabalhista

No ano passado, a justiça trabalhista no Pará recebeu 70 mil reclamações. Só no primeiro semestre deste ano as ações trabalhistas somaram 39 mil. Segundo os dados divulgados pelo presidente do Tribunal Regional do Trabalho, José Alencar, 66% dos processos chegaram ao fim, transitando em julgado no 1º semestre, mas as dívidas não foram pagas. [...]

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Pinóquio de novo

O Liberal abriu manchetes na sua edição dominical do dia 21 para anunciar que é o jornal de maior credibilidade no Pará. Seu índice seria de 46%, contra 28% do jornal A (presume-se que seja o Diário do Pará, embora não tenha havido indicação do nome) e 10% provavelmente do Amazônia, o segundo jornal diário [...]

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A pesquisa da manipulação

A pesquisa encomendava por O Liberal ao Vox Populi incluiu mais dois temas. Um, foi a divisão do Pará. A pergunta feita (a todo o universo e não apenas aos moradores da capital) foi: “De maneira geral, como você avalia a possibilidade de o Pará ser dividido em três Estados?”. Considerando a margem de erro, [...]

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A queima de parada

O ex-deputado federal Mário Martins era - ou ainda é - o mais articulado porta-voz de uma categoria empresarial estigmatizada: a dos donos de ônibus. Ao contrário da imagem atribuída a esses patrões, Mário é conversador, sabe ouvir e dialoga com proveito. Decidi usá-lo, à revelia dele, como intermediário de uma seção que inauguro nesta [...]

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Queremos ser colonizados?

Benedito Carvalho Filho
É importante, ao fazer comentários, apreender os argumentos do texto do jornalista, que abre espaço para o debate na matéria “A grave responsabilidade pela redivisão do Pará”, publicada no JP 495, da 2ª quinzena de agosto de 2011 e na internet, onde ele se expôs para todo o Brasil.
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Dalcídio

Há um movimento para dar ao paraense Dalcídio Jurandir um lugar de merecimento na sua terra e no seu país. O espaço que ele ocupa está degraus abaixo do que lhe é devido. Uma das formas é reeditar e fazer circular os seus livros, o que se está fazendo. No sentido contrário desse esforço, a [...]

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Política Comentários (0)

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O Pará está voltando a ser a terra sem lei, sem respeito, sem liderança autêntica, sem valores coletivos. Repetem-se as violências e aprofundam-se as violações aos direitos. Pela omissão dos principais personagens, os coadjuvantes avançam. É uma perspectiva perigosa.

Setores da opinião pública rejeitam o retorno de Jader Fontenele Barbalho ao poder, por considerá-lo nocivo à vida pública brasileira, São abundantes os argumentos em defesa dessa posição. Mas serve menos ainda ao interesse público exercê-la impedindo a execução da lei, a pretexto de que ela favorece um péssimo cidadão.

Pela norma legal e a definição do Supremo Tribunal Federal, Jader Barbalho devia ter sido diplomado senador ao fazer a primeira provocação a um dos ministros do STF. A decisão da corte, de que a lei da ficha limpa não podia ter vigência na eleição do ano passado, foi considerada de alcance geral. Logo, tem que ser acatada por todos e qualquer um dos membros do poder judiciário, quando provocados sobre seu cumprimento.

Quatro ministros já se recusaram a cumprir a decisão. Alegaram que a medida não pode ser adotada monocraticamente, por um juiz singular. É preciso o referendo do colegiado. A tese não é apenas um sofisma: constitui clara e insustentável violação da hermenêutica jurídica mais elementar. Consagra princípio que não consta dos códigos, o jus neolítico: posso, quero, faço.

Jader é persona non grata para os ministros do STF que votaram contra ele (e a favor de uma interpretação que o prejudica). Os demais não querem desunir a corporação ou assumir um papel antipático, preferindo esperar por uma nova reunião do colegiado, que não se realiza porque o relator original, ministro Joaquim Barbosa, nunca termina suas sucessivas licenças médicas. E quanto à lei? Ora, a lei. Ao vencedor, as batatas (ou, numa atualização de Machado de Assis, as baratas).

Qualquer exceção admitida nesse momento processual é um atentado àquilo que a ordem jurídica serve de sustentação: a ordem democrática. Qualquer desvio do império da norma é um atalho para o despotismo. Logo, são atitudes inaceitáveis.

Se o grau de violações cometidas pelo ex-quase-futuro-senador paraense é de tal ordem que o público e notório dispensa os ritos da prova da verdade, o que o Supremo (e, na cascata, as instâncias judiciárias inferiores) deve fazer é acelerar a decisão sobre os processos em que Jader Barbalho é parte.

Se já há provas suficientes nos autos das ilicitudes e delitos penais por ele cometidos, que se providencie logo a instrução dos processos para que cheguem ao trânsito final das sentenças - e, pela força da lei, o ex-governador pague por seus malfeitos, devolvendo o que porventura tiver subtraído do erário e cumprindo as penas estabelecidas.

A morosidade no andamento das causas e a protelação das providências cabíveis servem tanto aos interesses do réu, sobretudo para beneficiá-lo pela prescrição, como aos inimigos da sociedade, aqueles que se vestem de cordeiros e são, por trás de mal costurados disfarces, lobos tão ou mais insaciáveis do que o senador. E ainda se beneficiando da sombra ruim que ele projeta, sob a qual gatos pardíssimos se tornam pretos e o reluzir de personalidades fúteis sugere ouro, embora não passe de vulgar pirita (o chamado “ouro dos tolos”).

Está na hora de se colocar um fim nesses matizes furta-cor e nessas sombras oportunistas. O judiciário faz bem à nação quando cumpre a lei e produz a verdade, não quando se permite entrar no jogo de um maquiavelismo primário, como o que O Liberal pratica em Belém, usando Jader Barbalho como um pião fictício, um Belzebu desenhado ao bel prazer pelo jornal dos Maiorana. Por oposição a essa figura maligna e mortal, os que o acusam são santificados automaticamente.

Jader se tornou uma obsessão para o grupo Liberal. O jornal continua a dedicar-lhe editoriais quase diários, que nada variam em torno do mesmo tema. O excesso pode ter efeito reverso: fazer o algoz se tornar vítima. Mas o grupo não se importa. Ou melhor: desconsidera esse risco. Parece certo de que uma campanha maciça servirá de inspiração para os que querem golpear o ex-ministro, mesmo que seja um golpe baixo. O problema é que esses combatentes ainda não convenceram a opinião pública que o destino está selado e o Anhanga não voltará ao Senado.

O governador Simão Jatene não parece convencido desse destino. Como Jader pode renascer, conforme já aconteceu outras vezes, prefere manter a aliança. Mas com a maior discrição possível, para não contrariar ainda mais o maior grupo de comunicação local. O Liberal já lhe faz oposição aberta, criando contraste com o Diário do Pará, que fica do lado do tucano - e este, como de hábito, busca o muro mais próximo, ou o rio mais distante, onde haja pesca mais tranquila. O público se vira como cego em tiroteio.

Um exemplo é a mais recente crise da Santa Casa de Misericórdia, em Belém. A primeira versão foi de que dois gêmeos teriam morrido porque a instituição se recusou a receber a mãe, em serviço de parto prematuro, na porta da maternidade, de onde foi despachada por um porteiro. O hospital estava superlotado e a parturiente foi mandada para outros locais, inclusive públicos, onde também não foi atendida.

O episódio ilustra a grave situação da saúde pública, que agoniza e faz sofrer o povo, sobretudo os pobres (mas também a cada vez mais numerosa classe média endividada). Os hospitais públicos não têm o apoio necessário do governo. As instituições privadas são as preferidas, mas o sucesso evidente que alcançaram não tem origem apenas na sua eventual competência administrativa. Está vinculado também à incúria do setor público, à falta de seriedade na gestão e aos numerosos canais de vazamento de verbas. O resultado é que tudo aparenta estar bom e muita coisa está péssima.

A direção da Santa Casa cumpriu sua obrigação ao informar o governo sobre a superlotação do hospital, se antecipando à repetição de mais um escândalo. Mas errou quando, materializada sua previsão, reagiu a ela de forma burocrática, fundada na presunção de que, se o alerta não foi levado a sério, o responsável pela desídia que pague pelo erro. A vida humana devia estar acima dessas circunstâncias.

O governo errou mais ainda, exatamente quando parecia inovar na busca pelo acerto. Os dirigentes da Santa Casa foram imediatamente afastados para a apuração dos fatos. Mas neste caso a medida era dispensável: o exame médico-legal já fora providenciado, as primeiras evidências eram de morte intra-uterina das crianças e as responsabilidades podiam ser partilhadas, tendo a da Santa Casa provavelmente a menor parte da culpa. Talvez por isso sua direção tenha sido logo afastada.

Este novo episódio confirmou a impressão que vem desde o início da atual administração: que lhe falta comando efetivo; que o governador está cada vez mais indeciso e receoso; que delega demais; e que, como efeito, o governo tem sido o sujeito oculto da oração pública. Dentre outros motivos, porque o chefe do executivo não comanda, não decide, não toma posição e não diz a que veio para este segundo mandato. Quem sabe porque, contrariando suas razões doutrinárias, já pensa nas acomodações necessárias para um terceiro mandato. Tomou o rumo do prefeito da capital: sumiu.

A principal das acomodações no Pará segue o movimento pendular entre dois pólos de poder: de um lado, Jader Barbalho; de outro lado, o grupo Liberal. A virulência do conflito entre esses contendores assusta o governador e, de certa forma, o tem imobilizado (e esterilizado o governo, mal avaliado pelo cidadão).

Astuciosamente, O Liberal ressuscita o ex-governador Almir Gabriel, dando-lhe espaço para que ela derrame sua bílis de rancor e ódio sobre o sucessor, que o teria desobedecido; e projeta a imagem de Ana Júlia Carepa, mesmo sabendo que a governadora do PT foi um desastre e que é responsável por parte da prostração do seu sucessor (pelo que não fez e, principalmente, pelo que fez - de - errado). Já o Diário castiga além do merecido a ex-governadora, para evitar que ela seja apresentada como contraste positivo, que, de fato, não é.

Nesse vácuo de liderança, autoridade e responsabilidade surgiu um episódio insólito mesmo na absurda história política paraense. Um carro oficial da principal unidade operacional da Polícia Militar em Belém vai em missão à sede do poder legislativo dar proteção ao extravio (ou roubo, se a preferência for pela linguagem popular) de documentos que comprovavam a assinatura de contratos fraudados, em pleno andamento de processo judicial a respeito. O móvel do roubo são 52 processos administrativos. Não é pouco volume.

Sabe-se quando o veículo saiu do quartel, a quem conduzia, quem deu a ordem, o que foi retirado indevidamente e as conexões do ato. Mas não se sabe a data exata da expedição, não se tem imagens dos envolvidos e outros detalhes que, sem resposta há pelo menos dois meses, alertam o cidadão para o risco de que persista a impunidade dos mandantes, apesar de terem chegado a um extremo de audácia nunca antes assinalado nos anais da violenta política estadual. O que virá depois?

Balançado assim. de um lado para o outro dos pólos de poder, o Pará não segue no rumo do futuro: marca passo nesse jogo de manipulação; se afunda; involui.

LFP @ setembro 1, 2011

A força da palavra

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O Jornal Pessoal começou cinco anos depois do lançamento do Diário do Pará, 24 anos atrás. Não é uma diferença de tempo significativa. Pode-se considerá-los contemporâneos. Como vários outros no passado, o Diário surgiu com um objetivo bem definido: dar sustentação à candidatura do então deputado federal Jader Barbalho ao governo do Estado.

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LFP @ setembro 1, 2011

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